Do Cacau ao Chocolate

Do Cacau ao Chocolate

Uma das primeiras viagens da Terra ao Prato que fiz pela Gouté foi ao Sul da Bahia com a Juliana Motter. Ali aprendi um pouco sobre o cacau brasileiro e me surpreendi. Além da história interessante e curiosa, achei as plantações lindas e fiquei encantada ao degustar o cacau e descobrir  notas de sabores diversos, como melão, leite, amêndoa, banana, baunilha, maracujá. Foi uma viagem para todos os sentidos, voltei feliz com essa bagagem.

Aqui, Juliana nos conta sobre o movimento do Cacau Fino no Brasil, que tem atraído celebridades mundiais do chocolate como Bonnat, Pierre Marcolini e François Pralus para conhecer de perto nosso produto. Juliana é jornalista e precursora da loja de brigadeiro artesanal, Maria Brigadeiro. Além de produzir os quitutes mais maravilhosos, seu chocolate foi premiado  pela Revista Veja SP como o melhor do Brasil.

 

“Depois de mais de 20 anos produzindo quase que exclusivamente para a grande indústria, o Brasil começa e selecionar cacau para destiná-lo ao mercado gourmet. Willy Wonka talvez torça o nariz, mas há quem diga de boca cheia que os melhores chocolates do mundo estão na França, na Bélgica e na Suíça. Nesses três países loiros concentram-se o maior número de chocolaterias do planeta, e sim, ao que parece eles dominam a tecnologia de fazer chocolate bom, mas vale lembrar que a Europa não dispõe de um único pé de cacau. Isso porque esse fruto que dá origem ao chocolate é voluntarioso, gosta de calor e de umidade, e só cresce numa latitude de 20 graus ao norte e ao sul do Equador. Se o objetivo do chocolateiro é obter as melhores amêndoas para trabalhar – e, acredite, sem isso não há chocolate que preste –, o jeito é botar chapéu, repelente e uma bela camada de protetor solar e descer aos trópicos em busca de uma boa matéria-prima para transformar em chocolate. O Brasil, vale-se dizer, nunca esteve no mapa dos chocolateiros mais virtuosos. Nosso cacau sempre se destinou à grande indústria, e ao que tudo indica não houve interesse por parte dos produtores em selecioná-lo para atrair o mercado gourmet. Essa situação, no entanto, tem mudado nos últimos cinco anos. Depois da vassoura de bruxa (fungo que chegou por aqui no final da década de 80 e dizimou as plantações de cacau), nossa produção, que estava entre as maiores do mundo, despencou para míseros 4%. Para tentar recuperar os cacauais, os produtores de cacau brasileiros começaram a pesquisar plantas geneticamente mais resistentes, o que naturalmente resultou num interesse em aperfeiçoar a produção de modo a atrair um comprador mais exigente, que pagasse por esse cacau um valor maior. O movimento pelo “cacau fino”, como é chamado, tem dado frutos – e dos bons. O Brasil tem produzido amêndoas de qualidade, tanto no  Pará como na região Sul da Bahia, onde concentram-se as fazendas com maior infraestrutura cacaueira. Nunca se investiu tanto no beneficiamento do cacau na região. Tanta dedicação tem sido recompensada. Se antes o mercado de chocolate gourmet internacional não queria nem ouvir falar do Brasil, hoje ele já começa a estabelecer um diálogo. Prova disso é que, por baixo de chapéu, repelente e protetor, têm sido vistas por aqui celebridades mundiais do chocolate como Bonnat, Pierre Marcolini, François Pralus, que têm comprado lotes especiais de amêndoas “from Brazil” para preparar seu cobiçado chocolate. Uma das edições na Europa foi à barra de chocolate 75%, feita com cacau “trinitário”, “Brésil”, assinada pelo francês Alain Ducasse.” – diz Juliana.

Quer conhecer uma fazenda de Cacau? Escreva para goute@goute.com.br

Tags:
,
Colunista:
Dani Hispagnol
danihispagnol@goute.com.br
Sem comentários

Post A Comment