Mococa, uma descoberta inspiradora

Mococa, uma descoberta inspiradora

São três horas de viagem de carro por estradas de pista dupla de São Paulo até Mococa, a viagem é tranquila e segura e nos transporta da intensidade da grande metrópole para um outro mundo no qual uma pequena revolução encontra-se em processo.

Ali em Mococa um conjunto de fazendas centenárias reescrevem sua história e propõem um novo estilo de vida e de relação com a natureza. De suas histórias de grandes fazendas produtores de café e cana surgem novos capítulos focados na qualidade dos produtos, na recuperação das matas e nascentes, na proposição de uma nova relação de produção, na sustentabilidade, ou como resume um dos percursores desta revolução da família Pereira Lima da Fazenda Santo Antônio da Água Limpa, a “agricultura da grande mãe natureza”.

São três as fazendas que lideram este processo, a Fazenda Ambiental Fortaleza, a Casa do Engenho Fazenda Morro Azul e a Fazenda Santo Antônio da Água Limpa. Cada uma delas repleta de histórias dos seus quase 200 anos de existência, seus casarios, suas matas e a base para criação de produtos únicos.

A Fazenda Ambiental Fortaleza, FAF, está com a família Baretto desde 1.850 e na última década foi assumida por sua atual proprietária, Silvia Baretto e seu marido Marcos Croce que junto com o filho do casal, Felipe Croce, transformaram a fazenda em uma referência de excelência em café, produção orgânica e sustentabilidade. Ali existe uma fazenda viva, dos currais vem o leite, o queijo, dos campos o mel, o café, frutas, da cozinha doces, geleias, e uma alimentação saudável.

As casas de colonos foram transformadas em centros de educação, casas para hospedes laboratórios de pesquisa e um centro de torra e prova de café, a grande estrela da Fazenda. Ali o trabalho consistente da família com especial dedicação do filho do casal, Felipe, possibilitou a obtenção de cafés reconhecidos em todo o mundo. Por meio de parcerias com diversos pequenos produtores da região e muito, muito trabalho e pesquisa são produzidos microlotes de cafés especiais com altíssimas pontuações. Estes cafés podem ser experimentados em São Paulo no Isso é Café, no mirante 9 de Julho e na fazenda os hospedes podem ter uma imersão no processo de produção, colheita e torra.

Ali ao lado a Fazenda Santo Antônio da Água Limpa, da família Pereira Lima, foi fundada em 1.822 e nas últimas décadas se transformou numa fazenda absolutamente revolucionária. A grande plantação de café deu espaço para um sistema de integração entre agricultura, floresta e pecuária. Ali a natureza e em especial os animais são os grandes protagonistas. No lugar das pastagens tradicionais ou das granjas de porcos os animais são criados soltos, se alimentado de frutas, árvores e vegetação nativa, e neste processo vão auxiliando na recomposição da mata. Dos mirantes da fazenda é possível ver o impacto deste trabalho, de um lado áreas de antigas pastagens, de outro a floresta que ressurge e garante não só o alimento do gado, mas do homem também, além de produzir mel e café sombreado.

A hospedagem na fazenda é feita em confortáveis chalés cheios de tradição, a alimentação com produtos da fazenda e com plantas alimentares não tradicionais é uma agradável descoberta. Coração de banana, folhas de bambu, urtiga, pau d’alho, entre outras são plantas que nunca imaginamos ver em nosso prato e lamentamos por ter demorado tanto a descobrir estas belezas.

Estas plantas também alimentam os porcos criados soltos pela fazenda, são quase 2.000 animais criados soltos, livres que produzem uma carne excepcional que fez de John Oliver, a estrela da cozinha Inglesa, um dos principais clientes da fazenda. As carnes produzidas ali podem ser obtidas pela Cerrado Carnes, empresa especializada em carnes exóticas.

A terceira fazenda que junta forças a esta revolução é a Casa do Engenho Fazenda Morro Azul, ali a especialidade é a cachaça de altíssimo nível. As grandes construções da fazenda do século XIX são tomadas por toneis de madeira nos quais a cachaça Casa do Engenho aguarda o tempo passar. O terroir da região e o trabalho criterioso dos proprietários da fazenda possibilitam a maturação de uma bebida única, difícil de ser encontrada no mercado brasileiro, que por si só justificaria uma viagem até Mococa.

São quase duas décadas descansando nos grandes toneis de diversas variedades de madeiras que possibilitam o desenvolvimento desta bebida. Ali a simpatia e entusiasmo da família que comanda a fazenda e vários outros empreendimentos, entre eles a Cerrado Carnes criam as condições para um dia nababesco.

Mococa foi uma grata descoberta para esta coluna, no último ano fizemos uma série de viagens a região e ainda nos surpreendemos, descobrimos novidades que alimentariam muito mais páginas. É um Brasil, próximo a São Paulo, rico em diversidade e história. Com pessoas que pretendem fazer um novo capítulo na história do Brasil e veem obtendo sucesso nesta jornada.

Uma visita de dois ou três dias ali é uma experiência renovadora, que inspira a buscarmos um modo de vida mais sustentável. Infos de viagem: goute@goute.com.br

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Colunista:
Dani Hispagnol
danihispagnol@goute.com.br
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